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terça-feira, 13 de julho de 2010

OS PERCURSOS DO CORPO NA CULTURA CONTEMPORÂNEA - Malu Fontes




Nesse artigo, que faz parte do livro Corpos Mutantes, a autora Malu Fontes faz uma análise sobre o ideal de corpo de acordo com os padrões exigidos pelos meios de comunicação de massa, o qual é conceitua de corpo canônico. Sendo este corpo canônico o resultado do corpo de investimento em práticas que objetivam alterar as configurações anatômicas e estéticas e são sinônimos de beleza, saúde e bem-estar. E nesse argumento, a mulher vem sendo mais atingida pelos apelos midiáticos, seriam elas referências de elementos relacionados à juventude, ao vigor as estratégias de exercícios físicos, às cirurgias plásticas, até o consumo excessivo de produtos cosméticos bem como do seu vestuário. Fontes, Malu no primeiro capítulo, do seu artigo chama atenção que o corpo desejável nos meios de comunicação de massa em alguns cenários sociais pode ser dissonante em relação ao corpo canônico de acordo com os padrões religiosos e alimentares ditas alternativas, Ressalta ainda que os padrões que hoje definem o corpo canônico da mídia são passiveis de alterações ao longo do tempo.
Fontes Malu, relata também nesse artigo o quão, supostamente é difícil para as mulheres portadoras de deficiência física se afirmarem como cidadã em um contexto social e culturalmente marcado por uma corporeidade feminina canônica, ou seja uma pessoa cujo corpo é dissonante em relação à corporaneidade canônica imposta, vigente onde a cultura de massa funciona como um causador de angústias, causando sofrimentos de não ser o corpo midiático desejável.
Fontes, faz uma retrospectiva histórica no percurso do estatuto do corpo no Ocidente para que o leitor entenda, desde os tempos em que o culto ao corpo era demonizado, escondido, fruto de vergonha, chegando ao seu ápice apoiado pelo avanço médico e científico da contemporaneidade, o que contribuiu decisivamente para a sua exposição . A autora relata que o início dos processos de redefinição do corpo verdadeiramente se consolida na segunda metade do século XX período das duas grandes guerras mundiais em conseqüências das mudanças de paradigmas gerados pela reconfiguração do mapa geopolítico do mundo após a Segunda Guerra . O mundo até esse momento era marcado pela existência das metanarrativas que prevaleciam juntamente com os referenciais políticos, filosóficos e ideológicos que orientavam a natureza humana, os quais foram substituídos pelos grandes paradigmas. Com o esfacelamento das metanarrativas, entram em crise, os grandes discursos unificadores, sendo o homem estimulado ao individualismo, voltando-se para a sua própria imagem, para o culto ao próprio corpo.
Fontes Malu dizer que, o corpo passa por três estatutos culturais básicos que é o corpo representado onde é descrito pelo olhar do outro; o corpo representante que é um corpo ativo, autônomo quanto as suas práticas e o corpo apresentador de si mesmo, caracterizado como porta-voz de forma e não de conteúdos, um corpo reconstituído à base de cirurgias plásticas em implantes de substâncias químicas.

No segundo capítulo desse artigo, a autora aborda as características que identificam um corpo canônico e o corpo dissonante depois os comparam.

Fontes Malu, relata que o projeto de autoconstrução de um corpo canônico teve início quando o individuo opta pela adesão e submissão voluntária a um conjunto de práticas que alteram, aperfeiçoam, corrigem e reconstroem o corpo dito natural, no sentido de potencializá-lo em saúde, força e sobre tudo, em beleza estética e corporal. A essência do corpo canônico, é a negação dos efeitos do tempo e da depreciação causada pelos agentes cronológicos na anatomia do corpo.
O corpo canônico é, então, o corpo resultante as soma de diferentes tipos de investimentos, um corpo construído ou alterado mediante práticas, métodos e artifícios que são aperfeiçoados ao longo de todo o século XX e que têm na mídia o mais poderoso instrumento de divulgação e disseminação, seduzindo e conquistando adeptos em todas as classes sociais regulados pelo poder aquisitivo de cada indivíduo. Essa parte do texto é bem interessante e chama a atenção do leitor para as formas adotadas pelos economicamente excluídos para estabelecer um discurso de altivez.
Fontes Malu diz que é fundamental evidenciar que a idéia corpo canônico não equivale, necessariamente, à beleza física, que o corpo ideal, antes de ser belo, deve ser sinônimo de não-gordo, saudável, submetido voluntariamente a exercícios, medicamentos, tratamentos ou incisões cirúrgicas radicais.
Assim sendo, todo corpo que estiver fora desse projeto médico e cultural são denominados como corpo dissonante, um corpo inválido, quando comparados e confrontados com a lógica da boa forma e do vigor físicos. O corpo dissonante tende a despertar reações de estranhamento e até mesmo de repulsa. Pois sabe-se que na cultura contemporânea , o que não é desejável quase sempre é assustador. Na mídia é traduzido pela obesidade , pela velhice pela deficiência física ou limitações de ordem física.

O corpo dissonante se constitui como um atrativo e consumível na cultura de massa quando apresentado sobre a configuração de espetáculo e denúncia. E, quando naturalizado e sem artifícios reduz-se a objeto causador de rejeição, por representar a negação ameaçadora do desejo de sedução e aceitação.

E que para fugir da mais leve associação com a dita “monstruosidade” real, seja via obesidade ou velhice, recorre-se aos mais sofisticados e eficientes processos para (re)construção de um corpo canônico. Esse texto leva a uma grande reflexão sobre como a mídia influência de forma direta no preconceito, no que é visto e tido com perfeito, como você pode fazer parte, esta inserido ou não nessa população ditas como “aceitável” ou “excluídas”.



Corpos Mutantes: ensaios sobre novas (d) eficiências corporais/ Organizado por: COUTO, Edvaldo Souza; GORLLNER, Silvana Vilodre – 2ª Ed-Porto alegre: Editora da UFRGS,2009

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